terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Naquela mesa tá faltando ele...

Como diz o “velho deitado”: macaco que conhece formiga, sabe onde acomoda o traseiro. O provérbio vale pra nós, amantes do samba e da boa música. Vez por outra, somos pegos cantarolando melodias que expressam outros sentimentos, menos o de alegria. Porque o samba tem disso, vocês já perceberam: a melodia puxa a música pra cima, mas a letra é pesada (Chico Buarque é quem faz essa observação).
São tantos exemplos dessa, digamos, incongruência (palavrinha metida à besta) entre música e letra. Mas também tem obras que fazem o casamento perfeito entre melodia e idéia. A música que o Sérgio Bittencort (1942 – 1979) fez pro pai dele, o genial Jacob do Bandolim (1918 – 1969), é um primor. De chorar, claro, porque esse era também o estilo desse jornalista sentimentalista.
Ainda com o peito cheio de saudade com a morte do pai, aos 51 anos, Sérgio compôs essa pérola (“Naquela Mesa”): “Eu não sabia que doía tanto / uma mesa no canto, uma casa e um jardim. / Se eu soubesse quanto dói a vida, / essa dor tão doída, não doía assim. / Agora resta uma mesa na sala / e hoje ninguém mais fala no seu bandolim. / Naquela mesa tá faltando ele e a saudade dele/tá doendo em mim. (...)”.
É de arrepiar. Aí eu lembro de uma fala do Monarco da Portela, lembrando o não menos genial Noel Rosa, sobre de onde vem o samba, se do morro ou do asfalto. Nem de um nem de outro, porque ele vem do coração (conclusão do Noel). Música é sentimento. Música que não passa do ouvido é qualquer outra coisa, menos sentimento. A música sai do peito e chega no peito, mais precisamente ao coração.Fazer música é dar vazão aos recônditos da alma. Sejam de alegria ou de dor, versos não se fazem de rimas, mas de paixão, de saudade, de revolta, dos mais puros e singelos sentimentos. Ouçam aqui o que disse o Sérgio sobre o pai dele:
http://www.paixaoeromance.com/70decada/naquela_mesa72/hnaquela_mesa.htm. “Agora resta uma mesa na sala...”

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